A maternidade proibicionista é uma questão que surge quando nos deparamos com normas e pressões sociais que tentam ditar quem deve ou não se tornar mãe.
Este fenômeno impacta especialmente mulheres que desafiam as convenções tradicionais, questionando o papel atribuído a elas na sociedade.
"Se
proibir a maternidade fosse uma solução, estaríamos lidando com problemas
diferentes."
As razões estão explicadas em qualquer livro de biologia básica; ou seja, como toda espécie, somos programados para nos perpetuar, cuidar de nossa prole e depois voltar ao pó com uma sensação impalpável, quase convencional de dever cumprido.
Todavia, a questão encontra-se estrita e ardilosamente vinculada ao maior referencial de prazer: sexo; ou seja, um engodo criado pela natureza com tamanha monstruosidade e perfídia que deixaria o próprio diabo parecendo um amador quando o assunto é levar os indivíduos a realizar maus negócios.
Portanto, a animalidade humana é o que responde pelos motivos tortuosos da procriação, e isso praticamente sem qualquer intermédio da razão, já que seu poder de persuasão está na procriação; daí em diante limita-se a devanear sobre quantos deleites se seguirão à equação ejaculação + nove meses = felicidade.
Pois bem; nasce um filho e, inocentemente, lança suas pragas sobre o pobre-diabo. Obviamente, o faz com a melhor intenção, sonhando com um futuro brilhante e cheio de alegria para sua prole. Não imagina que o mesmo impulso cego que o levou a lutar pela conquista de uma vida estável – que continua insípida – agora o leva, como o desfecho de sua comédia, a perpetuá-la simplesmente porque não consegue suportar o tédio e a frustração de isso tudo que conquistou não haver servido para absolutamente nada.
Procura alívio desesperadamente, seja em amizades, jogos, esportes, extravagâncias, festas, sexo, drogas; porém, na manhã seguinte, sente a realidade sussurrar-lhe ao ouvido seu fracasso. Com isso resigna-se de sua tão sonhada, profunda e estupenda felicidade pessoal que haveria de vir inexoravelmente e passa o bastão adiante, pensando que com isso está fazendo o que há de mais nobre sobre a terra.
Como se pode verificar cotidianamente, a maioria dos indivíduos é dotada de uma visão tão curta e de um egoísmo tão irrefreável que sequer pensa na possibilidade de que o outro indivíduo, criado a partir do nada, a despeito das melhores intenções, será tão desgraçado quanto ele próprio. Não enxerga, sequer desconfia do grau de crueldade envolvido no ato de transformar uma poeira que esteve morta por bilhões de anos em um ser vivo simplesmente porque se encontra insatisfeito com sua própria vida.
Resistência
e Rompimento de Paradigmas
Mulheres
que desafiam a maternidade proibicionista são verdadeiras revolucionárias. Elas
questionam o sistema que tenta enquadrá-las em estereótipos ultrapassados e
rejeitam a ideia de que a maternidade é um destino único e inquestionável.
A resistência se manifesta de diversas formas, desde escolhas conscientes de não terem filhos até a luta pelos direitos reprodutivos. A quebra de paradigmas é uma afirmação de autonomia, um grito de liberdade que ressoa nas mentes de mulheres que se recusam a aceitar imposições sobre suas vidas.
A
Imposição da Maternidade e seus Desafios
A
pressão para ser mãe é uma realidade muitas vezes silenciosa, mas profundamente
arraigada. Mulheres enfrentam expectativas sociais, familiares e, por vezes,
até mesmo institucionais para se conformarem ao ideal da maternidade. No
entanto, a maternidade proibicionista surge quando certas mulheres são
desencorajadas ou impedidas de exercerem seu direito de serem mães, seja por
sua orientação sexual, condição financeira ou escolhas de vida.
Supondo as circunstâncias mais favoráveis, (você) nasceu em uma boa família, teve educação, formou-se na área de conhecimento de que mais gosta, conquistou respeito profissional e independência financeira, casou-se com seu amado, comprou a maioria das coisas que desejou, visitou os lugares mais curiosos da terra. Em suma, já buscou no mundo toda espécie de felicidade, cumpriu os objetivos que sonhou para si mesmo; não obstante, continua insatisfeita com sua condição e sente-se uma desgraçada. Começa a desconfiar que a marcha do mundo é uma piada de mau gosto, mas nega-se a confessar isso para si mesma; continua a buscar alguma solução exterior para sua infelicidade interior.
A
Importância do Diálogo e da Educação
Para
combater a maternidade proibicionista, é essencial promover diálogos abertos e
inclusivos. Educação sobre escolhas reprodutivas, respeito às diferentes
trajetórias de vida e desconstrução de estigmas são passos cruciais para criar
uma sociedade mais justa e igualitária.
A
maternidade proibicionista não tem lugar em uma sociedade progressista.
Cada mulher tem o direito de decidir sobre sua própria vida, incluindo a escolha de ser ou não ser mãe. Celebrar a diversidade de escolhas é o caminho para construir um mundo onde todas as mulheres se sintam livres para viverem suas vidas de acordo com suas vontades e aspirações.
Conclusão:
Celebrando a Diversidade de Escolhas
Sejamos
agentes de mudança, desafiando normas que não servem à verdadeira liberdade e
igualdade. A maternidade proibicionista não pode resistir à força daqueles que
acreditam na autonomia e no respeito à individualidade de cada mulher.
Não
obstante, quando, por uma sensatez milagrosa, a razão tem a oportunidade de
proferir algumas palavras prudentes a esse respeito, quase nunca são em favor,
mas explicitamente contra, sugerindo métodos contraceptivos e narrando
histórias horripilantes sobre noites insones regadas a berros, leite e
excrementos, cujos protagonistas posteriormente evoluem ao estágio de
parasitismo e aí ficam até que o cordão monetário seja cortado. Todavia,
contrariando tudo que toca o bom-senso, vejamos os motivos que normalmente se
apresentam em favor da procriação intencional.
Certo
indivíduo, depois de ter sido amaldiçoado pela geração anterior com a condição
de ser vivo, começa a sentir certo vazio em sua existência.
É verdade que, por vezes, se amargura sinceramente quando vê sua cria sofrendo no turbilhão do mundo, mas esconde no fundo de seu coração a culpa de ser ele o único responsável por isso; culpa o mundo, inventa mil explicações sobre a necessidade de aprender com os próprios erros para se tornar um homem feito, mas nunca se põe honestamente a questão de que o verdadeiro erro foi a multiplicação da dor que causou. Compreender que nada merece a punição de nascer neste mundo miserável constitui a verdadeira lição a ser aprendida com a vivência. Assim sendo, sua própria experiência de vida – da qual paradoxalmente se orgulha tanto e que tenta passar ao seu filho como se valesse algo além de um tímido pedido de desculpa velado
Entretanto,
esse tipo de consideração jamais passa pela cabeça da maioria dos indivíduos,
nem mesmo quando recebem à cara um não pedi
para nascer – algo que deveria fazer com que se cobrissem de
vergonha por um ato tão mesquinho, tão ridículo quanto tirar da matéria
inanimada a paz que eles próprios almejavam ao cultivar o sonho de ter um
filho, ignorando que isso só pode ser alcançado com a morte, com o fim dessa
lamentável sucessão de eventos tragicômicos que denominamos vida.


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