O DITO, MALDITO PELO BENDITO

 O dito, maldito pelo bendito

Aqui Reflito sobre Mensagens Implícitas e Subliminares nas Relações de Confiança.

Estamos imersos numa confusão de vozes que não se encontram. Contentamo-nos em acreditar que todos são o que aparentam ser, inclusive nós; escolhemos acreditar no mundo exterior para negar a distância entre nós e o outro, e também entre eles e si próprios. Com isso, absorvemos tudo que é dito como se fosse a única verdade possível, sobrepondo até mesmo o que pensamos.

Essa reflexão nos leva a um ponto crucial: como as mensagens implícitas e subliminares influenciam nossas percepções e decisões? E, mais profundamente, como isso afeta nossas relações com aqueles em quem confiamos?

A Confusão entre a Verdade e o Dito

Nas relações humanas, a confiança é o alicerce. Confiamos em amigos, familiares, colegas de trabalho, e muitas vezes em figuras de autoridade, esperando que aquilo que nos dizem seja genuíno, honesto, e, acima de tudo, uma representação fiel da verdade. Porém, o que muitas vezes não percebemos é que o que é "dito" nem sempre corresponde ao que é "verdadeiro".

O dito, na maioria das vezes, carrega consigo camadas de significado. Numa conversa comum, existem aspectos não-ditos, implicações e mensagens que podem passar despercebidas por quem ouve. Muitas dessas mensagens são subliminares, projetadas quase que inconscientemente, mas que acabam moldando como interpretamos o mundo e nossas relações.

Quando confiamos em alguém, tendemos a baixar a guarda e a aceitar suas palavras como verdades inquestionáveis. No entanto, essa confiança pode ser maliciosamente manipulada ou, em alguns casos, distorcida por quem emite as mensagens. Frases aparentemente inocentes podem estar carregadas de intenções ocultas, distorcendo nossa visão e influenciando nossas escolhas de forma sutil.

A Manipulação Subliminar nas Relações de Confiança

Muitas vezes, sem que nos demos conta, as pessoas que mais confiamos  nossos amigos, parceiros ou familiares podem, intencionalmente ou não, influenciar nossa maneira de pensar e agir. Isso pode se dar por meio de críticas veladas, sugestões sutis ou mesmo elogios que carregam julgamentos implícitos.

Por exemplo, alguém que confia em um amigo pode começar a questionar suas próprias escolhas baseando-se em comentários subliminares desse amigo. Frases como “Você realmente acha que isso é o melhor para você?” podem parecer preocupadas ou inofensivas, mas podem carregar uma mensagem de dúvida ou desconfiança. Assim, começamos a moldar nossas ações, não com base no que realmente acreditamos ser certo, mas no que o outro implicitamente nos faz acreditar.

A manipulação subliminar é perigosa porque, muitas vezes, não a percebemos conscientemente. Aceitamos o que é dito, maldito pelo bendito, como se fosse uma verdade absoluta, sem questionar as intenções ou o impacto por trás das palavras. E, ao fazer isso, permitimos que a percepção do outro sobre nós e sobre o mundo tome o lugar da nossa própria visão.

O Poder do Implícito: As Entrelinhas da Comunicação

O que não é dito, muitas vezes, pesa tanto quanto o que é verbalizado. Quando confiamos cegamente nas palavras de outra pessoa, frequentemente esquecemos de analisar o que está por trás delas. O silêncio, os gestos e as expressões que acompanham as falas também são formas de comunicação poderosas.

Tomemos como exemplo uma situação comum: uma mãe diz ao filho que está "muito feliz" por ele ter conseguido um novo emprego, mas sua expressão facial e sua postura corporal mostram hesitação ou desaprovação. O filho, consciente ou inconscientemente, capta essa dissonância e começa a questionar se a escolha que fez foi realmente boa. Ele absorve o subtexto dessa interação, e sua autoconfiança pode ser afetada.

Em um outro caso uma mãe em um bate papo descontraído com um amigo diz ter deixado sua filha em um local com pessoas que confia, mas na mensagem deixa um tom de “será que fiz a escolha correta?” com isso desconecta totalmente do momento e passa e gerar preocupações que podem estar só no seu pensamento.

As mensagens implícitas são aquelas que circulam nas entrelinhas da comunicação. Mesmo sem palavras, nós, como seres sociais, captamos sinais sutis de julgamento, desaprovação ou entusiasmo que não são expressos de maneira direta. E isso molda nossa forma de agir e pensar. Quando confiamos profundamente em alguém, tendemos a dar mais valor ao que esse alguém comunica – seja verbal ou não verbalmente – e isso pode criar um ciclo de influência que impacta profundamente nosso senso de identidade.

As Consequências do "Maldito" Dito: Quando a Confiança é Quebrada


O perigo de absorver cegamente o que é dito está no fato de que, com o tempo, perdemos o controle sobre nossas próprias crenças e percepções. Quando nos rendemos completamente ao que o outro diz ou deixa de dizer, corremos o risco de nos distanciar da nossa própria verdade.

Nas relações de confiança, esse distanciamento pode se transformar em frustração e, eventualmente, em ressentimento. Sentimos que estamos vivendo a vida com base nas expectativas ou nas visões do outro, e não nas nossas próprias. O "dito", nesse caso, se transforma no "maldito" – uma fonte de sofrimento, confusão e até perda de identidade.

Quando a verdade implícita ou subliminar se revela ao longo do tempo, o impacto pode ser devastador. As máscaras caem, as intenções ocultas se tornam claras, e percebemos que aquilo que acreditávamos ser o "bendito" – a palavra confiável, a opinião segura – era, na verdade, uma forma de controle, de limitação da nossa liberdade de pensamento e escolha.

Resultado disso é que vivemos do lado de fora de nós, onde não está ninguém, e achamos isso muito natural. A distância comum entre tudo nos acalma como se nos livrasse da responsabilidade de admitir que existimos quando ouvimos qualquer um que confiamos falar sem questionar como se essa fosse a única verdade.

Retomando o Controle: Como Proteger-se das Influências Implícitas

A boa notícia é que não estamos indefesos diante dessas influências sutis. Podemos aprender a reconhecer as mensagens subliminares e implícitas nas relações e, mais importante, podemos cultivar uma postura crítica em relação ao que absorvemos.

Um dos primeiros passos é praticar a autoconsciência: reconhecer como nos sentimos em resposta ao que ouvimos e analisar se essas respostas estão alinhadas com o que realmente acreditamos. Isso significa questionar não apenas o que é dito, mas também o que é insinuado ou não dito. Pergunte-se: "Isso é verdade para mim? Ou estou sendo influenciado por algo que não percebo totalmente?"

Outro passo importante é aprender a comunicar-se de maneira clara e assertiva. Se sentir que uma mensagem implícita está lhe afetando, busque clareza. Pergunte diretamente: "O que você quis dizer com isso?" ou "Sinto que há algo mais por trás do que foi dito. Poderia me explicar melhor?". A busca por transparência nas comunicações pode ajudar a dissipar mal-entendidos e evitar que as entrelinhas dominem o diálogo.

O Dito, Maldito pelo Bendito – Um Convite à Reflexão

Viver em um mundo repleto de mensagens implícitas e subliminares é um desafio constante. Nas relações de confiança, a linha entre o que é dito e o que é verdade pode se tornar tênue, e é fácil nos perdermos em meio às palavras e gestos de quem confiamos.

Entretanto, ao desenvolvermos a consciência crítica e questionarmos as mensagens que recebemos, podemos retomar o controle sobre nossas escolhas e crenças. Não devemos aceitar o "dito" sem reflexão, e sim escutá-lo com atenção, questionando-o quando necessário e protegendo nossa autonomia.

No final das contas, o que verdadeiramente importa é nossa capacidade de discernir o "bendito" do "maldito" e construir nossas vidas baseadas em nossa própria verdade, não na verdade dos outros.

Mesmo que nos custe admitir, o fingimento e a dissimulação são também pilares básicos da vida em sociedade, não apenas porque a mentira é útil e a mentira vem através do dito, mas também porque é necessária dentro do esquema de fachadas sociais que somos obrigados a incorporar desde nosso nascimento. Por isso faz bem aquele que aprende a distinguir entre as necessidades reais e as necessidades sociais de saber decifrar o maldito do bendito – isto é, a representação, numa linguagem cifrada e retorcida, que, em termos gerais, traduz as reais intenções objetivamente, porém não com a ineficiência inocente de um tradutor automático, mas com a malícia de um advogado velhaco que precisa ganhar a vida.

Isso é algo que não se aprende senão por si mesmo através da experiência e da reflexão. Os fatos reais e autênticos da vida, como cada qual realmente os sente e concebe, são uma espécie de tabu; não devem ser trazidos à luz publicamente; ficam ocultos em favor das aparências que, não obstante, todos sabem ser falsas e, por isso, o embaraçoso assunto é evitado a todo custo.

Ao julgar a questão, ao tentar discernir entre o autêntico e o afetado, é mais prudente tomarmos a grande diferença entre o que somos e o que exibimos aos demais como referência, pois é provável que façam o mesmo e com a mesma malícia, ainda que essa ideia nos repugne por lançar por terra todas as nossas ideias poéticas e delicadas sobre a amizade sincera, amores, sonhos, isto é, onde todos são idiotas e apenas nós temos o direito de pensar uma coisa e dizer outra.

Conclusão de Perifa: Não empreste seus ouvidos para qualquer um falar bosta na sua cabeça, é parte da sua saúde mental ouvir boas coisas, para ouvir merda é melhor viver de fones de ouvido, ouvindo música! Ou se alguém quer falar merda cobre caro, pelo menos vai conseguir pagar umas sessões com um bom psicólogo.

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