Tribunal do Crime

 

Tribunal do Crime

O tribunal do trafico atualmente é o mal mais necessário que qualquer comunidade precisa. 

O tribunal assume o papel e as tarefas que as “instituições de estado” teriam que realizar mais não a fazem, com isso mantém a lei e a ordem, juntamente aumentando sua popularidade entre os moradores.

Com normas próprias e decisões rápidas, os "juízes" do “Tribunal do Crime” determinam quem e como será punido, se vive ou se morre ou qualquer outro meio de deixar uma marca significativa para que sirva de exemplo.

Basta desacatar, desapontar ou desagradar para que uma vida seja colocada em votação.

Como um em cada quatro brasileiros apoia a tortura como método de investigação policial, fica difícil condenarem as torturas praticadas contra o ladrãozinho que age na favela

O que o governo não tem coragem de fazer, o crime organizado tem, tirar de uma vez por todos abusadores das ruas.

Quem defende a sociedade periférica das atrocidades cometidas por indivíduos que vivem onde a lei não chega?

Para isso foram criados foros apócrifos para estabelecer um sistema colateral de julgamento e punição aplicado a todos aqueles que com suas ações prejudiquem o andamento dos negócios da facção e ameacem a pacificação do local.

O tribunal desenvolveu um modus operandi próprio, baseado no extermínio planejado e sistemático em alguns casos na violência extrema;

Com terror social, a ação rápida e a mensagem clara do poder das facções a frente de cada comunidade dá um excelente modelo ao estado de como coordenar ações de ordem e segurança aos moradores.

O tribunal do crime é responsável por uma serie de execuções decorrentes das decisões irresponsáveis de algum meliante que tenta contra a regra da comunidade.

Os julgamentos sempre acontecem por meio de debates organizados cabendo a decisão sempre a alguns juízes. O julgado sempre tem direito a defesa desde que não seja pego em flagrante.

A nossa posição aqui não é fazer apologia ao crime ou romantizar a situação, mas antes das facções assumirem essa responsabilidade existia muita extorsão, estupros e mortes banais, abusos infantis, agressões de todo o tipo nas favelas.

Com o modelo de “o certo pelo certo” nas comunidades a paz mesmo que momentânea é instaurada entre os moradores.

Qual a justiça do estado tem a oferecer a um estuprado que será obrigado a conviver com seu abusador, a mulher e filhas espancadas até quase a morte pelo padrasto, da família que perdeu um ente querido motivado por briga em um bar?

Qual a segurança o governo tem a oferecer ao favelado? Já que nem o básico como ensino decente e saúde com qualidade consegue.

Imagine a adolescente voltando da aula pela noite sabendo que tem abusadores famintos à espreita.

O jovem, com um bonito relógio esperando para ser assaltado sabendo que o estado não pode defende-lo.

O ladrão, o talarico, o Jack ou pedófilo entram em ação, reúne-se o júri para deliberar qual a melhor retaliação ao seu crime.

“A Justiça criminal tem quatro elos: a polícia que prende; o promotor, que indicia; a Justiça que julga; e o sistema penitenciário que executa a pena (lenta e falha).

O aviso geralmente chega com homens armados que sequestram o “inadimplente” e somem com o corpo em algum buraco desses, sem testemunhas.

O júri é composto por irmãos presos ou que estão nas ruas. Os ‘crimes’ mais graves são estupro e roubo dentro das comunidades, em geral ligado aos dividendos obtidos com a venda de drogas.

O tribunal — ou tabuleiro, é usado para decidir imbróglios nas ‘quebradas’, incluindo até os problemas mais corriqueiros dos moradores.

Em geral, o tribunal tem acusador, defensor e júri, sendo transmitido por meio de celular.

As regras impostas pelas facções visam tornar o mercado do crime mais lucrativo, previsível e menos violento.

Quem julga as ações dos tribunais do crime não entendem que isso é uma questão de “estar certo do lado errado” estar na vida errada não quer dizer que o sentimento de fazer o correto não esteja em pauta mesmo que fazendo o certo de uma maneira errada.

O crime organizado não tem como encarcerar um criminoso que foi contras as regras, mas precisa puni-lo para fazer valer a regra em tempo integral sem qualquer teoria dos filósofos gregos.

 Quem desrespeita a regra paga o preço justo? No tribunal do crime não existe balança para aferir e sim uma espada afiada pronta para cortar as cabeças de quem as desobedece. Todo que infringe a lei da quebrada é responsabilizado, o tribunal não tem tempo nem hora exata para despachar sua sentença.


O problema é que nem sempre o governo civil quer ou aceita desempenhar seu papel de garantidor de justiça.

Alguns exemplos:

Na favela não dá para resolver o problema de um usuário que não pagou a droga recorrendo à justiça!

Não dá para ir ao Procon se o produto não está bom!

Não dá para chamar a polícia quando o feminicida está prestes a enforcar a mulher;

Não dá para chamar o advogado quando o marido traído descobre a traição;

Ir na delegacia quando algum meliante está furtando na comunidade;

Se o inquilino não paga o aluguel não há nenhum contrato que o faça pagar;

Nas comunidades outros fatores levam, a que os moradores recorram ao poder do crime para apaziguar conflitos:

a lentidão da justiça;

a falta de escrituração na maioria das residências;

a falta de documentos de identificação básicos;

a própria falta de um comprovante de residência faz com o único recurso seja a procura pelo obvio.

Por estes motivos alguma regra precisa ser implantada e se existe a regra precisa ser cumprida, neste caso a mediação dos conflitos é feito pelo tribunal. Que tem suas penas geralmente ligadas a violência.

Nesse caso cortar a cabeça da cobra não elimina o problema, se o governo não faz sua parte dele alguém precisa fazer, não estamos em tempo de justiceiros que fazem tudo com suas próprias mãos, nem ao menos em tempos de cada um fazer o que achar certo, motivado a pré-julgamentos.

Os Moradores precisam resolver seus conflitos, o estado não oferece está oportunidade, o governo não dá assistência.

Será que o Tribunal do Crime faz mais mal ou bem para a comunidade?

Esse é o mais cruel retrato da falência do próprio sistema de justiça criminal do estado.

É preciso rever todo o sistema, checar suas estruturas, textos e paradigmas, antes que seja tarde demais.

Um dos problemas é que a polícia fica cada vez mais parecida com os atores que combate.

Está tão parecida que, às vezes, é muito difícil para um policial distinguir um bandido de um cidadão de bem, sobretudo se ele é pobre, preto e reside em favela ou área pobres da cidade.

É exatamente por isso que às vezes dá medo de acionar a Polícia, a maneira que policiais nos encaram como se fôssemos os próprios réus, antecipadamente.

Todos são culpados até que provem o contrário, parece ser um dos lemas de alguns policiais.

O “TRIBUNAL DO CRIME” simplesmente traz a tona a principal fraqueza do estado a incompetência em gerar segurança e manter a ordem na sociedade.

Será então o tribunal de verdade um “mal necessário” para todos!








Nenhum comentário:

Postar um comentário