Vivemos sempre em função de algo que não é o que precisamos e sim o que achamos que precisamos, ficando cada vez mais distante do “eu” e a mediada que criamos uma rede de contatos isso piora.
Se já não nos sentimos solitários ou perdidos em nosso cotidiano, isso indica que estamos ficando cada vez mais longe da nossa humanidade, significa que estamos perdendo o contato consigo mesmo. É tanta coisa ao nosso exterior e ao do que nos circundam que dedicamos muito tempo ou até mesmo todo o tempo ao que o mundo (pessoas, coisas) tem a oferecer.
Estamos imersos em uma confusão de informações, de vozes e visões, textos e imagens e no fim nada se encontra, nada de muito nada.
Perdemos muito tempo acreditando que todos são o que aparentam ser, até
mesmo nós escolhemos acreditar que o mundo exterior que nos orienta e norteia,
negando distancia a nossa essência deixando de acreditar em si mesmo. Nisso
tudo na tentativa de tentar encontrar humanidade em outros como exemplo apenas nos tornamos
mais distantes de nós mesmos.
A fachada social é a porta de entrada para o desconhecido quanto mais
nos achamos aprofundados no conhecer alguém, identificamos o quanto a nossa
fachada é ilusória e que não conhecemos nem nós a mesmos. Essas relações deixam
uma lacuna ou verdadeiros abismos rumo ao desconhecido nesse contexto entendemos
que somos a nossa única e verdadeira companhia e ainda assim preferimos
abandona-la. A cada dia mais essa é a melhor configuração para ilustrar a
socialização humana baseada nas relações ilusórias do circulo social virtual. Perdemos
muito tempo vivendo do lado de fora de nós onde não tem ninguém importante
(toda importância em alguém vem de dentro) achando tudo isso natural criando
cada vez mais distancia consigo mesmo. Esse estereótipo nos acalma é como se
nos livrasse de certas responsabilidades de admitir “sermos humanos” imperfeitos,
inseguros, deprimidos e frustrados. Essa é a distancia comum que preferimos
assumir pois nos acalma e relaxa.
É comum sermos um assunto que não nos interessa, que podemos deixar para
depois ou que podemos deixar para os profissionais estudiosos decifrarem. Quando, estamos de fato preocupados com o que acontece com as pessoas, nas cidades, nos
bares, nas notícias, vivendo nosso admirável mundo oco querendo existir as
avessas de uma vida estereotipada dando mais valor ao incerto que ao certo.
Precisamos de fato deixar de existir na fachada social e conviver
sozinhos, falando de nada para ninguém e com isso escapar da solidão exterior preenchendo-a
com excesso interior que tem muito a nos ensinar.
Se queremos explorar o desconhecido é hora de conhecer o nosso interior
e fazer valer o verdadeiro sentido do “livre arbítrio”.
O livre Arbitrio é Aquilo que faz de nós o que somos, e nunca outra coisa, é nossa imaginação materializada em palavras; e ainda assim por mera vaidade chamamo-nos de homens, não de matéria.
Se pensarmos que ter consciência é algo que nos livra de quaisquer responsabilidades para com nós mesmos estamos enganados. Mesmo com toda consciência do universo, somos todos meros severinos, todos zés-ninguém, todos acasos biológicos que, ao nascer, recebem uma missão, um prazo de validade, um número de série e uma imbecilidade suficiente para acreditar no contrário, que somos diferentes uns dos outros. Não entendemos que mesmos começos e mesmos fins para todos, mas o que faz tudo valer é o meio, o caminho, tudo que faremos nessa jornada só isso vale a pena; então encara-la com lucidez seria a melhor forma de ser humano.
Nenhum comentário:
Postar um comentário