A Ideologia da Intolerância

Intolerância ou intolerante? Ela nasce no plural ou no singular?

Infelizmente se não bastasse o problema da Pandemia Mundial da COVID-19, a guerra Rússia x Ucrânia; junto com elas vem a INTOLERÂNCIA o que está causando um mal generalizado, a exclusão social.

Me preocupar com o vírus ou com a intolerância? Com as guerras ou com a Intolerância?

A intolerância começa no humano intolerante, (digo um cérebro, um coração e um corpo que se acha empoderado da razão divina), ela nasce de ideologias pessoais, nessa situação o intolerante está voltado completamente para causas exteriores que o circundam semeando suas ideologias e colhendo intolerância. Eles vivem imersos numa confusão de vozes que não se encontram que não dizem nada. Contentando-se com acreditar que todos são o que aparentam ser, inclusive si próprios; escolhendo acreditar no mundo exterior para negar a distância entre ele e o outro, e também entre outros e si próprio.

A grande maioria das pessoas se esquece que vivemos em uma sociedade plural. Para quem não tomou conhecimento da doença da intolerância saiba:

“A intolerância tem a sua origem naquela sensação de ameaça que o outro representa para própria opinião”

Sentido - Intolerância é uma atitude mental caracterizada pela falta de habilidade ou vontade em reconhecer e respeitar diferenças em crenças e opiniões.

No sentido político e social, intolerância é a ausência de disposição para aceitar pessoas com pontos de vista diferentes.

Estamos vivenciando nesse momento a intolerância casual, sexual, ética, e moral, politica e religiosa, sexual e financeira onde as pessoas acham que outras transmitem maldições só por terem vontades diferentes, por que querem, ou por maldade ou por qualquer outro motivo contrário a própria disseminação moral. No tempo que religiosos acham que somente sua crença é verdadeira, que politizados defendem suas ideologias partidárias se degradando em busca do poder, heteros se achando deuses das sexualidades, conservadores presos ao tempo que já passou.

Assim além de contaminados com todo tipo de discriminação que não se sabe qual vai ser sua reação, ainda precisa conviver com a exclusão, a violência psicológica e as vezes física e moral.

Os olhares condenatórios não são mais uma exceção, uma pessoa passa do isolamento social para a exclusão social como se carregasse a arma mais letal do universo.

 Não estamos lidando com um inimigo físico e sim com o invisível aos olhos da humanidade, estar fora de determinado grupo, etnia ou partido o torna “diferente” na visão de cada olhar, de cada ser humano, de cada lar, de cada templo, de cada governo e de cada nação! Nesse contexto todos que se encontram fora se colocam em posição defensiva, pois o diferente na maioria das vezes abala as certezas.

A intolerância nesse caso tem a ver com a forma que as minorias são afetadas. Elas são tratadas pela sociedade pelo que fazem ou falam, pelo que vestem e até memos pelos locais que frequentam.

Só não queremos como brasileiros ter o direito de ir e vir retirado, não ser cerceados pelos governos, pelos pastores, pelos professores, pelos empresários vamos respeitar nossos pares que tem livre condição de fazer suas escolhas.

Contrair um vírus, escolher uma religião, iniciar uma guerra, a opção sexual não são escolhas coletivas e sim pessoais. Ser um disseminador de ódio também é uma decisão pessoal que contamina todos a sua volta com muito mais violência que a própria guerra.

Falar sobre a transformação da imagem em coisas ruins, é bastante complicado. Transformar luz em trevas almejando alcançar benefício em interesse próprio é bem o estilo humano intolerante.

Quando investigamos as grandes questões da existência nos lançamos numa espécie de aventura grandiosa e sem sentido claro, é como pular de um avião sem paraquedas, em queda livre ao oceano mais profundo.

Com pouca sabedoria e muita teoria temos sido intolerantes perante as religiões das matrizes africanas, perante o cristianismo, perante a ciência e também perante a política governamental, muitas das vezes demonizando os fatos simplesmente para satisfazer a maioria que acredita que a influencia da maldade é maior que a da bondade.

Sabemos que a vida é uma brincadeira efêmera, e apenas por isso somos capazes de suportá-la sem perder o senso de humor; sem a ideia da inevitabilidade da morte, já teríamos enlouquecido diante da perspectiva aterrorizante de uma existência eterna sofrendo os mais terríveis julgamentos da sociedade apenas por não ser um “vai com os outros”.

Não há como lutar contra isso.

É mais fácil apontar uma centena de problemas insolúveis e apresentar imprecisamente o preconceito como vilão para justificar o que está na contra mão do nosso pensamento, do que deixar para lá, deixar a opinião de cada um para si. É mais interessante usar mecânica do raciocínio que coloca sempre alguém como culpado.

A intolerância geralmente é ventilada ao ar pelo anonimato, obrigatoriamente escrita por canetas anônimas. Realidades humanas são sufocadas por debaixo dos panos por motivos que não dizem nada. Ninguém faz questão de ouvir nada, pois estão todos gritando; e quem para, para ouvir, emudece pelo medo de se expor. Usar o conhecimento de quem não conhece nada sobre os assuntos para apaziguar o ódio, é não fazer nada! Usar justificativas baseadas em força divinas de luz para intensificar a força da sombra é covardia.

Essa é a figura que melhor ilustra a socialização humana atual. Resultado que vivemos do lado de fora de nós, onde não está ninguém que importa, e achamos isso muito natural. A distância comum entre tudo nos acalma como se nos livrasse da responsabilidade de admitir que existimos nesse plano carnal.

Vemos a nós próprios como uma espécie de questão filosófica abstrata e distante. Nós mesmos somos um assunto que não nos importa,  os outros sim é que importam; nos deixamos para os estudiosos e estudamos o alheio. Nossa preocupação está em viver no admirável mundo oco, na realidade que acontece por cima das pessoas, nas cidades, nos bares, nos jornais. Queremos existir às avessas, numa vida exterior comum, onde nosso interior é tão desconhecido que o chamamos de livre-arbítrio e tudo que é contrario a isso é anormal.

Testar nossos limites a todo tempo é apenas uma forma para nos tornarmos mais lúcidos.

Erradicar todos os envenenamentos idealistas na forma de preconceitos morais superiores é o primeiro passo na emancipação intelectual pessoal. Isso vale para aqueles que pretendem ser donos de sua vontade, e não de seu destino, pelo menos dar valor desse destino.

Por: Ralf Oliveira

Em: Perifa Brasil

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