A Desigualdade dos Iguais

Somos todos iguais?




Parece absurdo, mas não somos. Deveríamos ser.

Num mundo perfeito, todos teríamos as mesmas oportunidades, e passaríamos pelas mesmas dificuldades, igualmente. Nada mais justo do que tratar como iguais os que são iguais;

Como diz Fernando Savater, “não nascemos humanos, nos tornamos humanos por convívio e por contato”. O grande desafio é descobrir que a chave está em reconhecer o que nos torna iguais entre desiguais; que nossa igualdade está dentro e não fora de nós, que compartilhamos sonhos, medos, esperanças, contradições. Saber que a estamos conectados a um mesmo destino comum.

“Todos os seres humanos nascem iguais, mas horas depois já são diferentes.”         

Precisamos aniquilar todos os valores de fora para dentro, nivelá-los ao vazio impessoal para que se possa falar da “igualdade entre todos os homens” como se faz comumente. (“Falsa fala entre humanos”). Mas compreender uma pessoa não é tão simples quanto olhar no espelho e apontar diferenças como o jogo dos 7 erros versão “n” preconceitos. Isso requer um mínimo de alteridade, e essa capacidade pressupõe uma vivência pessoal próxima e compatível com aquela a que se está tentando compreender.

 A expressão aristotélica “devemos tratar igualmente os iguais e desigualmente os desiguais, na medida de sua desigualdade” é utilizada comumente para explicar o princípio da igualdade.

 A imposição desta igualdade é uma gritante forma de moralismo despótico – não parece haver melhor definição de injustiça que tratar os desiguais igualmente.

Isso é generalizar que tudo que for diferente de um modelo social implantado não é compatível a sociedade perfeccionista. O Brasil é um dos países mais desiguais do mundo, no tratamento de suas questões; O Brasil, foi último país a acabar com a escravidão e tem uma perversidade intrínseca na sua herança, que torna a nossa classe dominante enferma de desigualdade e de descaso.

Será que o assassinato de um ser humano faz diferença de como aconteceu para quem matou?

E faz diferença para quem julga o assassinato?

Sim faz toda a diferença! Na questão da Homofobia ou feminicídio faz e muito por se tratar de um sintoma de desigualdade. Não se matou porque era um ser humano; se matou porque era um gay, ou associado aos gays ou uma mulher. “Se não foi homofobia, deixa de ser crime?” Não, é claro que não; mas a homofobia é um crime especial. Um crime desigual.

Um hetero jamais seria espancado num metrô por ser gay.

Nem todos são vítimas desse crime pois há uma separação espontânea de situações. Normal é ejacular na perna da estudante no trem!

O artigo 5º da Constituição Federal de 1998 diz:

Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade.

Portanto, é a moral que estabelece em que o conceito a desigualdade se fundamenta – convenções sociais baseadas em probabilidades estatísticas e desvios-padrão do corpo total de uma população – e coloque-se na equação o conhecimento científico; mas quem dá a palavra final é a moral ou conceitos religiosos formatados por um grupo determinado a dizer o “pode ou não pode” na sociedade. De que adianta fingir que o assassinato foi só um assassinato e ignorar que ele só ocorre a certos segmentos de pessoas e que ele tem menos importância pela simples escolha sexual de um ser humano? De que adianta tratarmos a todos como iguais se não somos iguais?

Nossas vidas não são as mesmas. Não passamos as mesmas dificuldades, não sofremos as mesmas perseguições, não morremos pelos mesmos motivos. A homofobia pode não fazer diferença na vida da maioria, mas faz toda a diferença para as vítimas e se for seu parente vai fazer diferença para você.

“Igualdade para todos” é varrer o problema pra debaixo do tapete, porque na prática alguns são desiguais e merecem que isso seja reconhecido.”


Desigualdade na Politica

No Brasil, por exemplo, com uma população de pouco mais de 51% de mulheres, estas representam apenas cerca de 10% no Congresso. Apesar de pretos e pardos somarem quase 55% do total de brasileiros, em 2014, só 24% de todos os políticos eleitos no país (20% entre os deputados federais) se declararam pertencentes à estas categorias raciais. Entre indígenas, que somam 0,4% da população total, o número de eleitos representou apenas 0,1%. e esses números mostram a desigualdade a respeito às diversidades no Brasil, denotam, mais ainda, que nossos mecanismos democráticos falharam gravemente em garantir uma real representatividade no poder. E essa falta de representação, sem dúvida nenhuma, gera consequências sociais para essas minorias políticas (maiorias em número), que quase sempre enfrentam um debate legislativo que ignora seus problemas específicos.

A minha normalidade que, aos meus olhos, é óbvia, não seria aceita como legítima, pois há uma divergência relevante dos padrões, e mesmo que isso não mude muita coisa propriamente, muda o meu rótulo. Nesta posição, a normalidade parece estranhamente diferente do que sinto como normal e os seus motivos frequentemente me parecem sem sentido e irracionais.

Um renomado pensador disse que no fundo não queremos e não suportamos a igualdade. A história da humanidade é pródiga em demonstrações desta natureza. Nossa história é uma história de dominação, do homem sobre o homem, do homem sobre a natureza. E assim chegamos aqui. Não dá pra pensar em equidade na educação sem contextualizar, pois educação é meio, não é fim.

 Numa sociedade desigual, é injusto tratar a todos da mesma forma. Um objetivo não pode ser seu próprio meio; é impossível alcançar a igualdade por meio da igualdade. Quem é desigual deve receber mais proteção e mais direitos, a fim de que um dia se torne igual e, aí sim, seja tratado como tal.



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