Somos todos iguais?
Num mundo perfeito, todos
teríamos as mesmas oportunidades, e passaríamos pelas mesmas dificuldades,
igualmente. Nada mais justo do que tratar como iguais os que são iguais;
Como diz Fernando Savater, “não nascemos humanos, nos tornamos humanos por convívio e por contato”. O grande desafio é descobrir que a chave está em reconhecer o que nos torna iguais entre desiguais; que nossa igualdade está dentro e não fora de nós, que compartilhamos sonhos, medos, esperanças, contradições. Saber que a estamos conectados a um mesmo destino comum.
“Todos os seres humanos nascem iguais, mas horas depois já são diferentes.”
A imposição desta igualdade é uma gritante
forma de moralismo despótico – não parece haver melhor definição de injustiça
que tratar os desiguais igualmente.
Isso é
generalizar que tudo que for diferente de um modelo social implantado não é compatível
a sociedade perfeccionista. O Brasil é um dos países mais desiguais do mundo, no
tratamento de suas questões; O Brasil, foi último país a acabar com a
escravidão e tem uma perversidade intrínseca na sua herança, que torna a nossa
classe dominante enferma de desigualdade e de descaso.
Será que o assassinato de um ser humano faz
diferença de como aconteceu para quem matou?
E faz diferença para quem julga o assassinato?
Sim faz toda a diferença! Na questão da
Homofobia ou feminicídio faz e muito por se tratar de um sintoma de desigualdade. Não se matou porque era um ser
humano; se matou porque era um gay, ou associado aos gays ou uma mulher. “Se
não foi homofobia, deixa de ser crime?” Não, é claro que não; mas a homofobia é
um crime especial. Um crime desigual.
Um hetero jamais seria
espancado num metrô por ser gay.
Nem todos são vítimas
desse crime pois há uma separação espontânea de situações. Normal é ejacular na
perna da estudante no trem!
O artigo 5º da Constituição Federal de 1998
diz:
Todos
são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos
brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito
à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade.
Portanto,
é a moral que estabelece em que o conceito a desigualdade se fundamenta –
convenções sociais baseadas em probabilidades estatísticas e desvios-padrão do
corpo total de uma população – e coloque-se na equação o conhecimento
científico; mas quem dá a palavra final é a moral ou conceitos religiosos
formatados por um grupo determinado a dizer o “pode ou não pode” na sociedade. De que adianta fingir que o
assassinato foi só um assassinato e ignorar que ele só ocorre a certos
segmentos de pessoas e que ele tem menos importância pela simples escolha
sexual de um ser humano? De
que adianta tratarmos a todos como iguais se não somos iguais?
Nossas vidas não são as mesmas. Não passamos as mesmas dificuldades, não sofremos as mesmas perseguições, não morremos pelos mesmos motivos. A homofobia pode não fazer diferença na vida da maioria, mas faz toda a diferença para as vítimas e se for seu parente vai fazer diferença para você.
“Igualdade para
todos” é varrer o problema pra debaixo do tapete, porque na prática
alguns são desiguais e merecem que isso seja reconhecido.”
Desigualdade na Politica
No Brasil, por exemplo, com uma população de pouco mais de 51% de mulheres, estas representam apenas cerca de 10% no Congresso. Apesar de pretos e pardos somarem quase 55% do total de brasileiros, em 2014, só 24% de todos os políticos eleitos no país (20% entre os deputados federais) se declararam pertencentes à estas categorias raciais. Entre indígenas, que somam 0,4% da população total, o número de eleitos representou apenas 0,1%. e esses números mostram a desigualdade a respeito às diversidades no Brasil, denotam, mais ainda, que nossos mecanismos democráticos falharam gravemente em garantir uma real representatividade no poder. E essa falta de representação, sem dúvida nenhuma, gera consequências sociais para essas minorias políticas (maiorias em número), que quase sempre enfrentam um debate legislativo que ignora seus problemas específicos.
A minha normalidade que, aos meus olhos, é óbvia, não seria aceita como legítima, pois há uma divergência relevante dos padrões, e mesmo que isso não mude muita coisa propriamente, muda o meu rótulo. Nesta posição, a normalidade parece estranhamente diferente do que sinto como normal e os seus motivos frequentemente me parecem sem sentido e irracionais.
Um renomado pensador disse que no fundo não queremos e não suportamos a
igualdade. A história da humanidade é pródiga em demonstrações desta natureza.
Nossa história é uma história de dominação, do homem sobre o homem, do homem
sobre a natureza. E assim chegamos aqui. Não dá pra pensar em equidade na
educação sem contextualizar, pois educação é meio, não é fim.



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