Nós somos Mães.
Nós somos Mães Negras, Mães Indígenas, Mães Trabalhadoras, Mães Pobres, Mães de Favelas, Mães Periféricas: Nós somos Mães Guerreiras!
Nós somos Mães Sem-Teto,
Mães Sem-Terra, Mães Donas de Casas e de Barracos, Empregadas ou Desempregadas,
Mães de Secundaristas em Luta, Mães de Poetas e Mães Poetisas, Mães de
Presidiários e Mães no Cárcere: Nós somos Mães Quilombolas!
Nós somos Mães de São
Paulo, do Rio de Janeiro, da Bahia, de Minas, Guarani Kayowá do Mato Grosso do
Sul; Mães Mogianas, de Osasco, Mães de Acari, Mães da Sé, de
Manguinhos e das Baixadas, de todos os cantos: Nós somos Mães de Maio, de junho,
julho e de todos os meses do ano!
Nós somos Mães Africanas,
Mães das Favelas Brasileiras, Mães dos Estudantes Desaparecidos de Ayotzinapa (México),
Black Mothers das #BlackLivesMatter dos EUA, Mães das Vítimas do
Estado Colombiano, Madres e Abuelas de Plaza de Mayo da Ditadura
Argentina, Mães da Faixa de Gaza (Palestina), Mães dos Rappers Presos em
Angola, Mães da Paz e da Guerra de Libertação do Povo Curdo, Mães Latinas, Mães
Asiáticas, Mães Norte-Nordestinas, Mães Retirantes, Mães Refugiadas: Nós somos
Mães Sem-Fronteiras!
Leia o Texto da carta completo
https://periferiaemmovimento.com.br/queremos-parir-uma-nova-sociedade/
No dia mais significativo da vida humana, o nascimento,
emerge também a figura crucial da "mãe", simbolizando universalmente
o amor. Contudo, a reflexão sobre o estado das mães trabalhadoras das
periferias traz à tona desafios prementes.
De acordo com o IBGE, 56,9% das famílias lideradas por
mulheres com filhos vivem abaixo da linha da pobreza. Esse fardo recai,
especialmente, sobre as mães pretas, com 64,4% delas enfrentando essa situação.
Essas mulheres, mesmo em condições subumanas, lutam incansavelmente para
proporcionar o mínimo necessário aos filhos, superando as adversidades da
pobreza e buscando garantir amor, desenvolvimento e crescimento.
A maioria das mães não tem apoio na divisão dos cuidados
com os filhos. Nesse contexto, enfrentam a necessidade de trabalhar, muitas
vezes interrompendo a juventude e a educação para se dedicarem aos bebês.
Dependendo de serviços públicos, como creches e postos de saúde, e, em alguns
casos, da merenda escolar para complementar a alimentação dos filhos, essas
mães enfrentam desafios únicos.
A pesquisa revela que a proporção de nascidos vivos cujas
mães têm até 19 anos é 40 vezes maior na periferia em comparação com bairros
nobres. A maternidade solo muitas vezes leva ao afastamento do círculo social
da mãe, deixando-a com poucos ou nenhum apoio.
Segundo o Conselho Nacional de Justiça (CNJ), o Brasil
tem 5,5 milhões de crianças sem o nome do pai na certidão de nascimento. Esse
número, quando analisado socialmente, reflete desigualdades significativas em
relação a moradia adequada, proteção social e desemprego, intensificando a
vulnerabilidade dessas mulheres.
Em muitas famílias, o filho mais velho assume
responsabilidades enquanto a mãe busca sustento. Mesmo diante desses desafios,
essas mães conseguem preparar seus filhos para enfrentar as adversidades, como
o preconceito, o racismo, a homofobia e a pobreza, proporcionando-lhes a
capacidade de vencer batalhas diárias.
A pandemia agravou a situação, deixando muitas mães sem
acesso a seus trabalhos e à beira de crises financeiras e alimentares. Apesar
disso, essas mulheres, mesmo com contratos frágeis ou empregos informais, não
perderam a esperança de dias melhores.
Este Artigo é dedicado a essas mães, que, apesar das
adversidades e humilhações, mantêm viva a esperança. Elas merecem
reconhecimento em cartões festivos, posts em redes sociais e todos os direitos
que lhes são devidos.
Adicionalmente, o texto destaca a alarmante estatística de violência contra mulheres, evidenciando o aumento dos atendimentos policiais a vítimas de violência durante a pandemia. O relato apresenta dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, ressaltando a necessidade urgente de abordar essa questão crítica.
Consequências da Pandemia
Na pandemia, período em que as mulheres passaram mais
tempo em casa, a convivência com parceiros, tutores e familiares intensificou
os casos e denúncias de violência, revelando um aumento significativo: os
registros de feminicídio cresceram 22,2%, e os chamados para o 180, Central
Nacional de Atendimento à Mulher, aumentaram em 34% em comparação com o mesmo
período do ano anterior, de acordo com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública.
A experiência de violência pode deixar sequelas profundas
na vida da mulher, refletindo-se em diversos traumas e doenças ao longo do
tempo. Essas consequências podem incluir a sensação de incapacidade para buscar
educação e novos aprendizados, bem como dificuldades para expressar opiniões em
casa ou no ambiente de trabalho. Tais desafios decorrem do silenciamento e
menosprezo enfrentados por mulheres vítimas de violência, impactando
diretamente a jornada materna.
De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), os
efeitos da violência na saúde e no bem-estar das mulheres podem abranger
quadros como depressão, estresse pós-traumático, ansiedade, suicídio, depressão
pós-parto e risco de transmissão de infecções, incluindo o HIV.
Contrariamente à crença comum, o machismo não prejudica
apenas as mulheres; também afeta negativamente os homens. Eles são incentivados
a reprimir emoções, sofrer em silêncio, recorrer à violência para resolver
conflitos e economizar em demonstrações de afeto, resultando em problemas
psicológicos e emocionais decorrentes de uma falsa ideia de superioridade de
gênero.
Um ponto crucial a considerar é: e as mães periféricas?
Antes de julgar, elevar o tom ou discriminar, é
imperativo compreender que entender uma pessoa não se resume a olhar no espelho
e apontar diferenças, como no jogo dos 7 erros, versão "n"
preconceitos. A empatia e a compreensão são fundamentais para promover uma
sociedade mais justa e inclusiva.
Com uma visão mais abrangente apresentamos possíveis soluções para os desafios enfrentados por essas mães nas periferias.
·
Educação e Empoderamento Feminino: Explorar
como iniciativas educacionais e programas de empoderamento feminino podem
impactar positivamente a realidade dessas mães. Investir na educação das mães
pode criar um ciclo virtuoso de oportunidades para elas e suas famílias.
·
Acesso à Saúde Mental: Abordar a importância
do acesso a serviços de saúde mental nas periferias. Muitas dessas mães
enfrentam não apenas desafios econômicos, mas também questões de saúde mental
devido ao estresse constante e à pressão social. Destacar a necessidade de
recursos e apoio nessa área é crucial.
·
Rede de Apoio Comunitário: Explorar como as
comunidades locais podem desempenhar um papel vital na criação de redes de
apoio para essas mães. Iniciativas comunitárias, como grupos de mães, podem
fornecer um ambiente de compartilhamento de experiências e apoio prático,
fortalecendo o tecido social.
·
Inclusão no Mercado de Trabalho: Investigar
possíveis soluções para melhorar a inclusão dessas mulheres no mercado de
trabalho formal. Isso pode incluir programas de capacitação profissional,
políticas de emprego inclusivas e parcerias com empresas para criar
oportunidades de trabalho mais estáveis.
·
Combate à Violência de Gênero: Reforçar a
importância de estratégias para combater a violência de gênero, não apenas com
medidas repressivas, mas também através de programas de conscientização e
educação que promovam a igualdade e o respeito.
É imperativo destacar que a realidade enfrentada pelas
mães nas periferias é um reflexo profundo das desigualdades estruturais
presentes em nossa sociedade. Este é um chamado urgente à reflexão coletiva e à
ação conjunta para romper com padrões que perpetuam a marginalização e a
injustiça.
A sociedade como um todo deve reconhecer a importância de
proporcionar oportunidades equitativas para essas mães, valorizando suas
contribuições e oferecendo suporte nas áreas cruciais, como educação, saúde
mental e acesso ao mercado de trabalho. A falta de igualdade compromete não
apenas o bem-estar dessas mulheres, mas também prejudica o desenvolvimento de
suas famílias e, consequentemente, o progresso social como um todo.
Aos homens que perpetuam o ciclo da violência, é
essencial confrontar a própria responsabilidade e papel na construção de uma
sociedade mais justa. O abuso não é apenas uma agressão individual, mas uma
manifestação de desigualdades profundamente enraizadas. É tempo de questionar
atitudes tóxicas, cultivar empatia e respeitar a autonomia das mulheres. A
mudança começa em cada um de nós, na desconstrução de padrões prejudiciais que
perpetuam a cultura do machismo.
Que esta reflexão seja um chamado à ação, uma convocação
para construirmos uma sociedade onde todas as mães, independentemente de onde
vivem, tenham a oportunidade de criar seus filhos em um ambiente que promova
dignidade, igualdade e respeito. A transformação é possível, e cabe a cada um
de nós desempenhar um papel ativo nesse processo de construção de um futuro
mais justo e inclusivo.


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