Inconsciência Negra ou Racismo Estrutural?
Muitas mentiras ainda são contadas no processo de evolução humana
E o fim da diferença da cor de pele é uma delas.
Qualquer um que seja perguntado sobre racismo ou preconceito tenta evitar o diálogo, porque isso exige se mostrar como realmente pensa.
(Puta que pariu).
“Puta” — elemento utilizado na linguagem africana para qualificar algo ou alguém como grande ou excelente.
Exemplos: “um puta homem”, “uma puta casa”.Origem no quicongo mbuta, que significa notável, melhor.
Também significa a forma apocopada de prostituta.
Racismo não é instinto. É aprendizado.
Ninguém nasce racista ou preconceituoso.
Isso se adquire, se aprende, se desenvolve
e se põe em prática, mesmo que de forma imperceptível.
Esse é o racismo velado.
Zumbi dos Palmares e a falsa consciência
Zumbi dos Palmares lutava pelas causas de liberdade e pela defesa de seu povo e de sua raça.
Foi assassinado em 20 de novembro de 1695.
Por essa razão, a data foi instituída em homenagem à sua morte.
A proposta do Dia da Consciência Negra é levar todos à reflexão sobre o preconceito racial.
Entretanto, a falta de consciência sobre o próprio dia da Consciência Negra torna a comemoração insignificante.
A lei existe. A prática, não.
Em 2003, o presidente Lula aprovou a lei que inclui o Dia Nacional da Consciência Negra no calendário escolar e torna obrigatório o ensino da história da África nas escolas públicas e particulares do país.
Apesar da lei, a maior parte das escolas não realiza um trabalho efetivo de valorização da cultura negra.
Nos livros didáticos, o negro aparece principalmente em dois momentos:
-
na abolição da escravatura;
-
no apartheid.
Poucos conhecem o DENGO.
Poucos conhecem o BANZO.
Poucos se interessam pelos lamentos negros.
Por que o Dia da Consciência Negra?
1837 — Primeira lei de educação: negros não podem ir à escola.
1850 — Lei das Terras: negros não podem ser proprietários.
1871 — Lei do Ventre Livre: quem nascia livre?
1885 — Lei do Sexagenário: quem sobrevivia para ficar livre?
1888 — Abolição. (Foram 388 anos de escravidão.)
1890 — Lei dos Vadios e Capoeiras: quem perambulava pelas ruas sem trabalho ou residência comprovada ia para a cadeia.
Eram mesmo livres?
Dá pra imaginar a cor da população carcerária daquela época?
Você sabe a cor predominante nos presídios hoje?
1968 — Lei do Boi: a primeira lei de cotas.
Não foi para negros.
Foi para filhos de donos de terras, garantindo vagas em escolas técnicas e universidades.
(Volte e releia a lei de 1850.)
1988 — Nasce a atual Constituição.
Foram necessários 488 anos para que o racismo fosse considerado crime.
Na maioria dos casos, ele ainda é minimizado como injúria racial — e nada acontece.
2001 — Conferência de Durban.
O Estado reconhece a necessidade de políticas de reparação e ações afirmativas.
Não foi porque “acordaram bonzinhos”.
Foram décadas de luta.
E até hoje tem gente que ignora.
2003 — Lei 10.639: inclui a obrigatoriedade do ensino de História e Cultura Afro-Brasileira.
Convenhamos: não é cumprida.
2009 — Primeira Política de Saúde da População Negra.
Segue sendo negligenciada e violentada.
Quem são as maiores vítimas da violência obstétrica?
2010 — Estatuto da Igualdade Racial.
Em um país que insiste em negar o racismo.
2012 — Lei de Cotas nas universidades.
A revolta da Casa Grande sob o falso pretexto da meritocracia.
O chicote só mudou de forma
Todas essas datas marcam uma mudança no estilo do chicote do feitor.
Hoje, a polícia substitui o capitão do mato.
O Parlamento representa a Casa Grande.
É fácil martirizar com chicote o mais fraco.
África está em nós
Muita coisa da nossa cultura vem da África e dos africanos sequestrados para cá — dos quais descendemos em maioria.
No auge do crime da escravidão, a população negra era maioria.
E continuou sendo.
Inverteram a forma de se acreditar no racismo quando a necropolítica de classe e raça impede o acesso a condições iguais.
A sociedade brasileira é racista
IMAGEM
Nossa sociedade é racista, escravocrata, covarde e vingativa.
Nas senzalas sociais, ainda lemos textos como:
“Os cara trouxe o ebola pro Brasil e depois não querem que falem mal de preto.”
“Eu tô tranquila com esse negócio de ebola porque só preto que pega.”
“Fiz um café tão preto que já passou ebola pra quatro canecas aqui.”
“O lugar de vocês é no tronco. Fora, negro.”
Não é liberdade de expressão. É violência.
É lamentável que, em pleno século XXI, tenhamos que resgatar nossa história apenas para reafirmar nossa identidade multiétnica.
Enquanto isso, precisamos combater leis, instituições e discursos que toleram manifestações odiosas de racismo e intolerância — práticas que apenas segregam e empobrecem a essência multicultural que formou o Brasil.
Em hipótese alguma manifestações de intolerância e racismo podem estar protegidas sob o manto da liberdade de expressão.
por: Perifa Brasil
Filosofia Periférica





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